Em uma entrevista, Steve Jobs menciona algo básico, de fácil compreensão, mas de difícil implementação nas organizações:
“A Apple é uma empresa incrivelmente colaborativa. Você sabe quantos comitês temos na Apple? Zero! Somos organizados como uma startup. Uma pessoa é responsável pelo software do iPhone. Uma pessoa é responsável pelo hardware do Mac. Uma pessoa pelo hardware do iPhone.”
Link da entrevista: https://youtu.be/f60dheI4ARg
Um pensamento simples: uma empresa onde cada pessoa tem um escopo claro com entregas bem definidas, sem precisar ser monitorado o tempo todo.
Quando ouvi isso pela primeira vez, pensei: “Ele está descrevendo um quarteto de jazz!”
Mas o que acontece dentro de um quarteto?
Cada um domina profundamente a linguagem do jazz e o seu instrumento.
Cada um conhece o seu papel dentro da lógica e da engrenagem dessa música.
E cada um sabe, sem precisar perguntar, quando é a hora de liderar a banda e quando é a hora de sustentar o que o outro músico está criando.
Afinal, “problema de um é o problema de todos!”
E por quê isso é tão difícil de implementar nas organizações?
Quando as empresas crescem, criam-se comitês, processos e camadas de aprovação, o que muitas vezes faz sentido.
Porém, lentamente, as pessoas param de confiar umas nas outras e começam a depender do processo para fazer o que antes elas faziam com autonomia.
“Com isso, em algum momento, o processo passa a ser mais importante que o conteúdo do que deve ser feito” (Steve Jobs)
O músico de jazz não tem esse problema!
Ele foi treinado para confiar, ouvir, reagir, interagir e contribuir: o jazzista entende que o resultado coletivo depende de cada um fazer a sua parte com excelência.
Tenho levado essa conversa nas minhas palestras não só como teoria, mas como experiência ao vivo.
Quando um time inteiro assiste a um quarteto de jazz funcionando dessa forma, com quatro músicos criando algo maior do que a soma das partes, em tempo real, sem script, algo muda na forma como as pessoas observam as suas ações e colaborações e tiram as suas próprias conclusões.
‘Colaboração’ é uma das metáforas mais fortes que o jazz traz para o mercado corporativo.
Como me disse um respeitado CEO do mercado de exportação de vinhos: ‘quer saber como criar uma cultura colaborativa na empresa? Ouça Jazz!”
Marcelo Coelho – saxofonista, graduado em Música Popular pela Unicamp, com mestrado em Jazz Performance pela University of Miami nos Estados Unidos, doutorado em composição pela Unicamp, pós-doutorado em processos criativos pela USP e criador do Jazz Corporativo — experiência ao vivo que leva um quarteto de jazz para dentro de empresas e eventos corporativos em todo o Brasil.

